Infelizmente, a resposta para essa pergunta é aquela que todo mundo odeia ouvir: depende muito.

Para te ajudar a sair do achismo, eu criei uma ferramenta chamada Mapeamento de Perfil do Intercambista. Se você tiver cinco minutinhos, faz esse teste. Ele serve justamente para você entender que tipo de viajante você é e desenhar o tamanho real do seu orçamento.

Mas, para não te deixar sem norte, vamos a um overview sincero sobre o assunto. Anota aí:

5 pilares para calcular o seu orçamento

1. Entenda a dinâmica de preços do seu destino

Se eu tivesse escolhido ir para a Irlanda em vez de Malta, eu teria que ter levado muito, mas muito mais dinheiro. Por quê? Porque por mais que a Irlanda pague salários médios mais altos, o custo de vida lá é muito mais alto, principalmente o aluguel.

Então a regra de ouro é: faça o cálculo de quanto custa viver três meses no país de destino — colocando na ponta do lápis: moradia, alimentação, transporte, lazer básico e emergências. Esse valor final tem que ser a sua meta mínima absoluta para guardar.

2. Entenda o seu objetivo (e abra a sua cabeça)

Se o seu foco principal é aprender ou destravar o inglês, você não precisa ir obrigatoriamente para os Estados Unidos ou para a Inglaterra. Existem opções muito mais baratas no mapa que facilitam a realização do seu sonho.

Conheci dezenas de pessoas que queriam ir para os destinos mais famosos, mas acabaram optando por Malta porque o orçamento cabia no bolso. E a realidade é que nenhuma delas se arrependeu. No fim do dia, não é sobre o glamour do lugar; é sobre o seu objetivo e a intensidade da sua experiência.

E vou te dizer uma coisa, mesmo sendo muito mais barato, Malta entrega um glamour de alto padrão. Viver em uma ilha com TUDO que você necessita é sensacional.

3. Defina o que é inegociável para você

O valor da sua conta bancária depende diretamente do nível de conforto que você exige ter. Moradia na Europa é absurdamente cara. Se você não abre mão de morar sozinho em um estúdio, o seu custo vai ser três vezes maior do que o de alguém que aceita dividir apartamento com mais 2, 3 ou 4 pessoas.

Se você faz questão de comer em restaurante e testar a culinária local toda semana, vai gastar muito mais do que quem cozinha em casa e aproveita o país fazendo piquenique no parque. Tudo depende de você. E do tamanho do seu estômago para desapegar de luxos.

4. Faça sua própria "pesquisa de campo"

Fuja de influenciadores de viagem que mostram planilhas prontas com "quanto gastei no mês". Os preços mudam muito rápido e o estilo de vida deles pode não ser o seu.

Faça você mesmo a sua espionagem:

Fazendo isso, você monta um mapa de custos assustadoramente real antes mesmo de comprar a passagem.

E já te dou um conselho de quem quebrou a cara: esteja aberto a situações que você jamais viveria no Brasil. Em Malta, eu dividi apartamento com 5 pessoas e o quarto com mais uma. Tivemos problemas de convivência? Claro, todo mundo tem. Mas foi incrível.

5. O cenário ideal vs. O cenário real

Quanto mais dinheiro você levar, melhor. Dinheiro compra conforto, comodidade e paz de espírito. Mas se você faz parte da maioria dos brasileiros e o orçamento está apertado, organize-se para levar o mínimo de segurança. O seu dinheiro não pode acabar no meio do intercâmbio enquanto você ainda bate perna procurando emprego.

Uma estratégia que me ajudou muito: tente fazer alguma renda extra ou um "bico" online no Brasil que você consiga manter enquanto estuda lá fora. Joga nas ferramentas de IA (como o ChatGPT ou o Gemini) exatamente esta pergunta: "Como fazer uma renda extra online voltada para o meu perfil (insira suas habilidades e currículo) morando no exterior?"

Os melhores bancos para usar no exterior

Smartphone com aplicativo de banco digital aberto
Ter dois ou três bancos digitais configurados antes de embarcar pode te salvar de apuros — Unsplash

Conselho de amigo: abra todas as contas e faça as validações de documentos ainda no Brasil. Faça um teste, coloque um dinheiro lá, use no Brasil e já desembarque no seu destino usando o cartão. Não cometa o erro de deixar para abrir quando estiver lá fora.